Há algum tempo atrás, as agências de rating internacional eram a quinta essência dos nossos problemas…dizia-se que as suas indicações não eram para levar a sério, que eram parciais, que sustentavam o interesse do centro e norte da Europa, e outras coisas que mais. Do alto dos seus púlpitos, Governo e economistas consagrados olhavam de soslaio para esses novos dragões ameaçadores que tinham o desplante de descaracterizar a nossa situação económica.
Os tempos foram renovando-se no seu intemporal percurso, e eis que a nossa situação continua a ser extremamente preocupante e demonstrando muito do que é apontado por essas agências, embora hoje já veja muita boa gente preocupada com as decisões dessas agências sobre a caracterização da nossa dimensão económica, suas consequências na imagem e desempenho do nosso sistema bancário nos mercados internacionais, entre outras coisas.
Afinal, a realidade tem um sabor bem mais amargo quando outros nos forçam a olhar claramente para ela, e no que toca ao posicionamento internacional face à nossa dívida externa, as coisas não vão ficar por aqui.
Alerta Infarmed
24/11/2009 por Paulo HelenoFica aqui a ligação para o alerta do Infarmed sobre os lotes do medicamento Ben-U-Ron que estão a ser retirados do mercado, conforme notícia divulgada hoje nos noticiários e sites dos vários media.
Questões de Justiça
24/11/2009 por Paulo HelenoJá não via o Prós e Contras há algum tempo. Parece-me lamentável que a justiça seja discutida da forma como foi. Escrevi no meu Twitter que a justiça se afastou da mulher de César, e escrevi-o querendo dizer que realmente os actores da justiça por vezes esquecem-se da posição que ocupam, do estado a que a justiça chegou, e de que são eles também os actores de toda a teia de problemas que neste momento atinge a muito digna instituição judiciária. A dada altura parecia estar a assistir a um recreio de uma escola primária, em que um menino faz uma asneira e outro diz “foste tu,foste tu”, ao que o acusado responde “não fui nada,não fui nada”. É de facto pouco prestigiante a forma como estes actores encontram nova forma de colocar toda esta situação num grau zero da discussão renovado semanalmente.
Quanto ao conteúdo da discussão, concordo com a noção de que o Procurador Geral da República tinha de falar (como aliás já o tinha feito notar num post) anterior, e concordo que apenas se deve remeter à questão criminal, não sendo da sua competência entrar numa questão política mascarada de questão social, pois obviamente o cenário político oferece todas as possibilidades para manobras a este nível. O que era importante e substancial neste caso era responder à pergunta sobre se José Sócrates teria feito ou dito alguma coisa que o fizesse incorrer em algum crime. E a resposta a essa questão foi dada. Quanto à veracidade da mesma, esse é um caminho pelo qual não gostaria de seguir…infelizmente concordo com a ideia de que mais dia menos dia as escutas estarão publicadas nos jornais, e depois logo cada um poderá, dentro da letra e do espírito da lei, tirar as suas conclusões.
No que respeita à destruição das escutas, para ser sincero fiquei na mesma…no meio de tanta falta de compostura perante assuntos tão sérios, acho que muitas pessoas não devem igualmente ter avançado muito na reflexão sobre esta matéria.
Ir Atrás
23/11/2009 por Paulo HelenoAssim como é mau legislar sobre casos de justiça específicos, é igualmente mau o surgir destas explicações…fica-se um pouco com a sensação de que o sistema está sobre a influência de um curto-circuito entre as entidades de investigação e judiciais e a imprensa, e de que todo este curto-circuito funciona de forma demasiado rápida, levando o resto do sistema atrás, por um percurso de linearidade algo questionável.
Parece que se vão tapando alguns buracos o mais rápido que se pode, e isso é uma muito má imagem de um sistema judicial que, porventura mais que outros, deveria mover-se de forma recta e contínua.
A Ler…
23/11/2009 por Paulo HelenoEste artigo sobre Kurt Cobain e os Nirvana, no caderno Ípsilon, do Público.
Crimes Passionais
23/11/2009 por Paulo HelenoÉ de facto assustadora a quantidade de crimes passionais a que vimos assistindo nos últimos anos. Ao contrário do que se vai afirmando, tenho sérias dúvidas de que a não publicitação destes actos origine um decréscimo dos mesmos…para além de achar que esse facto iria ter como ricochete a transmissão por via popular dos mesmos com consequente adulteração da realidade, o que me parece ser bem pior do que a não publicitação dos mesmos, acho que essa não publicitação seria apenas um mero cuidado paliativo para se esconder a verdadeira dimensão humana do fenómeno, e que nos é revelada por acontecimentos como o recente homicídio de Mangualde que choca pela juventude dos intervenientes, ou por uma recente investigação da revista Sábado, que nos mostra que tais crimes (ou apenas a execução de pura violência contra outro) não conhece classes sociais.
A verdadeira tragédia destes actos (para além da óbvia tragédia decorrente da perda de vida de seres humanos) é a crescente disfuncionalidade das relações, decorrentes da superficialidade com que cada vez mais elas são suportadas, e que se traduz no assentar num dipolo anacrónico caracterizado pela pretensa sofisticação da relação, muito suportada pela substituição do conhecimento mútuo como força motriz da mesma pelos dogmas sociais do que deve ser socialmente a relação, e no pólo oposto pelo despertar de sentimentos de posse que surgem naturalmente como consequências do anteriormente exposto, numa busca consciente de uma compensação a essa socialização forçada da relação que a torna mais vazia quanto mais aberta ela for a essa intrusão social. No meio de tudo isto, fica deveras exposta a cada vez maior dificuldade que o ser humano tem cada vez mais em lidar contra uma igualmente cada vez maior solidão, cada vez mais profundamente anacrónica, residindo e crescendo num ambiente onde no real e no virtual se promove a aproximação.
Faz cada vez mais falta ensinar as pessoas a ouvirem-se um pouco mais a elas próprias. Voltar a construir o conceito de relação como um cruzamento de caminhos em que os rumos resultantes podem (ou não) saírem reforçados, mais amplos, mais arejados. Voltar a construir a relação com base no respeito mútuo que é necessário buscar e não impor, muito menos ser esvaziado exteriormente por uma falsa realização proveniente de modas ou momentos. Sobretudo, faz cada vez mais falta retirar da mente humana de que a solidão origina-se da permanente mutação social, e sofre-se com a incapacidade de acompanhamento da mesma. A solidão apenas surge quando o homem se abandona a si mesmo, num vazio auto-imposto. Tudo além disso, é sempre um ponto de partida, nunca um ponto de chegada.
A Realidade Fria dos Números
23/11/2009 por Paulo HelenoPortugal e Espanha começam finalmente a encarar a realidade fria dos números no que tocante a obras públicas, especialmente se confrontada com os potenciais benefícios que tais obras trarão dentro do curto/médio prazo para os dois países que enfrentam dificuldades a vários níveis da economia.
Neste sentido, a análise de Rui Moreira é concisa e directa, como aliás é seu apanágio. Pode inclusivamente ser estendida à situação respeitante à dinamização do porto de Sines como interface logístico por contraponto, por exemplo, à construção da muito dúbia terceira passagem sobre o Tejo ou a construção do novo aeroporto nos moldes em que está prevista actualmente (para já não falar na insanidade que é a totalidade dos projectos rodoviários).
A menos que sejam devidamente estruturadas as ideias do que se pretende fazer para o transporte de mercadorias para os mercados europeus com Sines a assumir papel preponderante a Sul ,e com a hipótese de existir outro porto de águas profundas mais a norte, o TGV nada mais continuará a ser do que a visão megalómana de um país que a alta velocidade vai escolhendo o seu triste destino.

